Pesquisar este blog

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Dia 13 | 01nov | Vietnã - Tour ao Delta do Mekong 1

Hoje acordamos cedo e compramos uns pães recheados numa padaria bacana que tem próximo ao hotel (estilo a Itiriki Bakery, da Liberdade) para nosso café da manhã no ônibus.

Saimos às 8h20 de Saigon, com o micro-ônibus da agência. O pacote que pegamos vai abranger 2 dias para termos uma visão geral do Delta do Mekong. Aparentemente é uma forma cômoda e barata, sendo que depois vamos partir em direção ao norte (Hanói) num esquema de passagem livre por ônibus, com paradas ao longo do caminho.

O Rio Mekong é um dos rios mais importantes da Ásia (com mais de 4500 km de extensão), passa por diversos países como China - Tibet, Miamar, Laos, borda da Tailândia, Cambodja e deságua no mar da China pelas terras do Vietnã. Mekong em vietnamita significa rio dos Nove Dragões, pois seu curso se divide em diversos canais. O delta do Mekong é uma região estratégica para o país, pois é o celeiro de arroz, alimento básico do povo (a gente como descendentes de japas, também têm consciência dessa importância). Com as reformas promovidas pelo governo em 1986, o país passou de importador a importante exportador para outros países do sudeste asiático (principalmente China).
Passamos pelo rio quando estávamos no Cambodja e também no caminho para o Vietnã. É um rio feio, barrento e parecendo uma mistura de café com leite. Mas essa característica proporciona uma grande riqueza de peixes, crustáceos, e outros bichos comestíveis (pelos povos daqui pelo menos). É impressionante, em qualquer canal proveniente do rio principal a gente via os ribeirinhos com redes ou varas de bambu pegando todo tipo de peixes. Bem que eu queria experimentar pegar algum peixinho, mas em algum momento terei a oportunidade!

O passeio começou bem organizado, parecia tão organizado que pensamos estar entrando numa excursão tipo CVC. Nada contra, mas quando tudo está totalmente formatado para grupos de turistas, algumas experiências se tornam menos autênticas. Mas pode ser preconceito nosso mesmo, afinal de contas, também somos turistas!

No caminho, paramos numa oficina que produz todo tipo de peças laqueadas, com desenhos em madrepérola e também casca de ovo. Haviam muitos artesãos trabalhando, alguns cortando as detalhadas figuras em madrepérola - que é a parte interna da concha de um tipo de ostra - outras colando, outras preenchendo com a laca, outras polindo, uma verdadeira linha de montagem! Um trabalho realmente primoroso, pois as peças finalizadas que vimos na loja (como sempre, no final do trajeto da visita) eram muito bonitas! Creio que as peças deveriam ter um preço inflacionado para os turistas, mas mesmo assim não parecia caro, pelo nível do trabalho.
A fábrica de peças laqueadas, trabalho primoroso!

Trabalho aliás é a razão de existir dessa gente! Segundo o guia, em 2008 o nível de desemprego era em torno de 2% (até os ciclos, as bicicletas com cadeiras, são considerados empregos, embora sejam visivelmente informais). Ainda segundo o guia, embora não tenham a mesma aptidão ao empreendedorismo dos chineses - nisso eles são mestres! - os vietnamitas têm uma jornada de 7 dias por semana, e nesse contexto os momentos das refeições são muito importantes para conviver com a família. Eles devem colher os resultados disso não muito longe, realmente é de se admirar!

Todas as visitas que fizemos nesse tour tinham um lado comercial, com barraquinhas vendendo os produtos finais. Haviam muitos barcos de turistas, grupos de japoneses (estão em todos lugares!!) Mas apesar disso achamos interessante, só tínhamos que entrar no clima! 
Chegamos em Mi Tho, onde pegamos o barco para fazer um passeio às comunidades ribeirinhas. Primeira parada, um lugar que nos serviram diversas frutas secas, um chazinho com mel. Aqui eles produziam mel, que tem um valor medicinal muito importante para eles.
 Saída pelo porto de Mi Tho. Abaixo a visita do melzinho.

Então uma mulher pegou uma píton para os turistas tirarem fotos. É claro que fui, mas com receio dela não ir com minha cara... Um bicho muito bonito, que vira ensopado em alguns restaurantes daqui. Essa pobre coitada ainda era uma adolescente, as grandes chegam a ter mais de 6m!! Após as fotos com a cobra, serviram umas frutas locais variadas, destaque para o pomelo (laranja gigante tipo grapefruit) e uma que parecia caqui, bem doce. Tudo ao som de música vietnamita tradicional, com uns instrumentos tipicos e 3 moças cantando com voz estridente... Acho que eles são bons mesmo em pesca e agricultura!

Para sair da vila haviam uma canoas manobradas por 2 pessoas, uma em cada ponta. Haviam dezenas e dezenas de canoas, subindo e descendo o canal, que tinha até uma correteza razoável. Digamos que esse foi o momento mais "radical" de todo o tour! Mas valeu à pena ver de perto os locais e sua habilidade impressionante em manejar o remo, sem muito esforço faziam o barquinho seguir seu caminho.
  A píton pet (melhor ser pet do que sopa!) e o congestionamento de canoas. Bé de vietnamita!?!

Depois fomos para uma vila, onde haviam vários restaurantes caseiros, cortados por pequenos canais que se encontravam com o  rio principal. Aqui tivemos o almoço incluso no tour, que estava até bom (não esperávamos grande coisa). No "quintal" chegamos a visitar um outro restaurante vizinho, com tanques cheios de outros bichos: crustáceos, peixes, tartarugas, enguias e cobras. Depois de experimentarmos aquela cobra sem gosto do Cambodja vai ser dificil a gente encarar outra... Num dos cantos havia um tanque com crocodilos, que aliás estava no cardápio do restaurante onde comemos. Esse até provaríamos, mas ainda não dessa vez. Antes eles no meu prato do que eles com os dentes no meu tornozelo!!
De tarde visitamos uma fábrica caseira (mas bem equipada) de doces de côco. O doce não ganha das nossas cocadas, mas era muito organizada. Para variar, uma loja depois vendia todos os produtos.
O tour do primeiro dia chegava ao fim e pegamos o busão para a cidade de Can Tho, a maior do delta do Mekong, onde fica nosso hotel. Também não esperávamos muita coisa do hotel, mas era limpo e tinha 2 camas, para descansar era o que precisávamos!
 No alto nosso barquinho do tour. Eu na ponte sobre os canais, próx ao restaurante. Bé e o tanque dos crocodilos, só esperando a hora da panela! Nosso churrasquinho de frutos do mar, delícia!

Fomos jantar num lugar muito agradável, numa praça ao longo da beira do rio. Haviam várias barracas preparando frutos do mar grelhados, escolhemos a mais cheia. Haviam apenas locais e tudo estava muito fresco. Pedimos uns espetos de camarões, lula e polvo, que nós mesmos prepararmos numa grelha, que vem à mesa sobre um pote de cerâmica cheio de brasas. Comida perfeita para uma cerveja gelada, embora por aqui ela não seja tão gelada como gostaríamos. Para acompanhar, arroz e um macarrão com frutos do mar. Uma coisa que não dá para entender é o hábito muito estranho do povo daqui comendo e jogando os restos (cascas, ossos, etc) no chão! Ninguem reúne o lixo num prato à parte, mandam tudo pro chão, do lado mesmo!  

Fomos descansar pois o dia foi cansativo e a tia Augusta iria nos acordar às 6h00.
Oyasumi! (Boa noite em japonês).

Dia 12 | 31out | Vietnã - Lunch Lady e o Palácio da Reunificação

Hoje saímos de manhã, pegamos um banh mih - baguete (influência dos franceses) com patê, vegetais, molho de peixe, pimenta e ovo ou frios - e café gelado com leite - estou viciado nisso!. E assim estávamos prontos para encarar o dia!
Fomos para a agência de turismo e fechamos um tour de 2 dias e 1 noite para conhecermos o delta do Mekong, saindo amanhã cedo.
Em seguida passamos por uma avenida moderna, com um edifício bem hi tech e marcante na paisagem. No térreo eles vão ter uma loja da Apple (ainda em finalização) e outras entre elas uma bem legal da Adidas.
Andamos na avenida beira rio - no caso, o rio Saigon - e já vieram uns tiozinhos oferecer os ciclos, que são umas bicicletas com rodas grandes e cadeiras acopladas, um primor da segurança no transporte!! Isso realmente seria BEM aventureiro!
Perto do rio vimos umas lojas muito interessantes, em uma doceria haviam uns bolos muito elaborados, bonitos mesmos. E logo perto, haviam umas 2 lojas grandes, cheias de miniaturas de embarcações, muito bem feitas.

De manhã na barraca de bahn mi, um barco-restaurante engraçado no rio Saigon, nós no conjunto hiper moderno no centro de Ho Chi Minh, o bolo super-enfeitado e a loja de barquinhos.


Depois fomos em direção ao museu de História, que logo descobrimos que estava fechado (é segunda). Como um dos programas era ir numa senhora que faz uns noodles, muito famosa aqui, fomos direto para lá p um almoço mais cedo.
Nesse ponto foi bom chegar cedo, pois ainda estava vazio, em menos de 30 min. todas mesas lotaram! Essa sra é famosa, é conhecida como Lunch Lady e já apareceu no No Reservations sobre o Vietnã (de onde ficamos loucos p experimentar seus noodles). A sra. Thanh tem uma barraca numa rua calma e faz um prato diferente nos 7 dias da semana e aparece em vários blogs sobre comida. Simpática, ela cresceu e cercou sua barraca com outras de parentes, que servem pratos que complementam seus famosos noodles. Por ex os rolinhos primavera são de sua irmã.
O prato do dia era um noodle estilo Thai, ou seja, muito apimentado. Vinha com camarões, lulinhas inteiras e porco, além de vários vegetais. Uma delicia!! Valeu muito à pena!
A sra Thanh trabalhando no prato do dia, nosso noodles à moda Thai e as mesas já lotadas pelos fregueses.

Após o almoço, atravessamos p o outro lado da ruela e pedimos o café vietnamita, com leite condensado e gelo, perfeito para o calor de mais de 30! Nessa hora passou uma ratazana perto da Bé, o que ajudou a quebrar o encanto do lugar p ela... Rs! Mas a ratazana era da rua e não da tiazinha né...

Depois fomos ao Palácio da Reunificação, um espaço que simboliza os novos tempos do Vietnã. Um edifício suntuoso, mas que não chegou a nos impressionar tanto... Era uma visita bem focada em promover o governo, com espaços para recepção de outros lideres mundiais, salões de festa, vídeos institucionais, etc. Mas mesmo assim com muitos turistas e grupos.

 Palácio da Reunificação e seus diversos espaços.

Depois próximo do hotel entramos numa grande loja de departamentos com computadores, eletrodomésticos e câmeras. Aqui aparentemente eles recebem as novidades muito rápido, dado a proximidade com Japão e Coréia. Conheço muita gente que ia ser difícil de tirar de uma loja dessas! Rs.
Uma coisa que chama atenção em Ho Chi Minh, como tem carros japoneses aqui! Toyota é o que mais se vê!

Abs!!

Dia 11 | 30out | Vietnã - Primeiro dia em Saigon

Saigon, Ho Chi Minh, tudo a mesma coisa!
Acabamos dormindo até um pouco mais tarde e saimos meio tarde de do hotel. Fomos ver como funcionava o mercadão de dia. Tudo aqui parece a 25 de março, ou será o contrário? As roupas, perfumes em geral são praticamente todos “falsetas”, muita quinquilharia à venda, e souvenirs para turistas. A própria dona do hotel aconselhou a gente a pechinchar muito, pois os preços são abusivos.
Acabamos tomando o nosso café da manhã aqui. Experimentamos uma coisa nova... O “doce” é servido no copo e continha macarrão de arroz, feijão japonês doce (Azuki), gelatina, bolinha que parecia sagu cobertos com leite de coco e muito gelo! No final eles servem chá gelado.
 
De manhã no mercado, e os doces gelados no copo. Refrescante!

Fomos então ao passeio cultural e no caminho, como não tínhamos comprado água, paramos novamente em um lugar que servia bebida gelada, Of course! Mesmo nesse estabelecimento pequenininho, o negócio era prático. A bebida era colocada no copo de plástico e depois vedada com uma espécie de tampa de plástico tão bonitinho... Desenho de patinho, kkkk Muito fofo! Mas quando estávamos escolhendo o cara não falava inglês e então um jovem (cliente) que estava com a namorada nos ajudou a escolher o sabor e ainda acabou pagando pra gente!!! O conceito do povo grosso acabou de mudar, kkk. Muito bacana o cara...
Bem, chegamos ao War Remnants Museum (Muesu dos Remanescentes da Guerra). Aqui estão expostos objetos, fotos, documentos relativos à Guerra do Vietnã.
Muitas das atrocidades documentados aqui não foram muito divulgadas no Ocidente, nós raramente tivemos a oportunidades de ver /ouvir as vítimas da ação militar dos EUA contar suas próprias histórias. Muito triste, temos que estar preparados para ver a exposição.
Logo no pátio da entrada, havia o desenho da bandeira do Vietnã. Haviam equipamentos militares dos EUA (helicópteros, aviões caça, tanques, canhões, etc.), tudo muito grandioso e impressionante. O mais irônico é que os EUA perderam a guerra, apesar de todo esse poder de fogo, que era o mais moderno na época.
  
Parada para refrescar e acabamos ganhando as bebidas de um local! 
Pátio externo do War Remnants Museum, com todo poder de guerrra americano.
Ao entrarmos no hall do museu, havia um grupo de pessoas afetadas indiretamente pelos efeitos do agente laranja. Uns fazendo artesanato, outro tocando piano, etc. Muito triste mesmo. Vale lembrar que o mais triste é que até hoje ainda nascem bebês com efeitos das armas químicas usadas pelos EUA. Havia uma menina nascida em 2008 (!!!) que nasceu sem os braços e pernas.
 Números da guerra pelo lado do Vietnã, a menina nascida em 2008.
Vista geral da exposição das armas americanas.
Algumas fotos muito fortes, a última, muito famosa.
Os espaços de exposição. Um grupo escolar se reúne no pátio após a visita.

Passamos a tarde inteira no museu. Saimos às 17:00h e fomos comer algo, pois não havíamos almoçado. Achamos um lugar chamado Phô Nho e comemos noodles com carne bovina (Phô Bo). Passamos no supermercado para comprar água e achei na parte das carnes bovinas/ suinas, uma bandeja de casulos de alguma coisa!!!!! Nooosssaa, que gosto que isso tem será, hein???


Na parte de cima, no supermercado são vendidos casulos estranhos e peixes vivos.
Márcio, feliz da vida, antes de devorar o phô. Abaixo, cenas noturnas de Ho Chi Minh, com famílias inteiras se divertindo com seus filhos.

Voltamos ao hotel e começamos a lavação de roupa, literalmente, ehehehehe
Tam biet! (Até logo)



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dia 10 | 29out | Cambodja - Saindo para o Vietnã


Após a correria para arrumar as mochilas (Tempo......!!! 15 min), pegamos o ônibus de Siem Reap para Ho Chi Mihn, ou Saigon - já no Vietnã.
Pegamos um "nigh bus", com os bancos todos deitados, mas dispostos em 2 "camadas", e 3 fileiras. Ficamos nos bancos de baixo, sem vista para a janela. O ônibus balançava muito e parecia não ter amortecedor, sentíamos todas as pancadas direto nas costas. Afe!!!
O engraçado é que ao entrar no busão já tínhamos que tirar os sapatos e haviam tipo de "beliches" dispostos no chão e em cima. Praticamente quando alguém ficava de pé no corredor, nós que ficamos embaixo, ficava de cara com o bumbum das pessoas, rsrs. Ah e tinha ainda um cobertorzinho que caia um tipo de pó... sei lá quando foi lavado a última vez... Sorte não termos pego pulga, ahahahah!
Night bus, e depois de chegar em Phnom Penh, a cena bizarra!

O problema é que muitas coisas o pessoal não esclarece totalmente. Achamos que a viagem seria direta, mas paramos no meio do caminho, em Phnom Pehn (no dia seguinte às 6 da manhã) novamente para ter que esperar o ônibus para Ho Chi Mihn.
Em Phnom Pehm, enquanto esperávamos o outro ônibus, o Márcio foi dar um giro numa feira para comprar umas frutas e não é que ele flagrou no celular, um cara enrolado na toalha, no meio da calçada!! Que cena deprimente!
No caminho, muitos arrozais, cassinos na fronteira. Tivemos que descer do ônibus 2 vezes, uma para dar saída na imigração do Cambodja e outra para entrar no Vietnã. A imigração do Vietnã era um prédio muito moderno, bonito mesmo. Deu para sentir que chegamos em outro país.
Cenas através do ônibus. Imigração do Vietnã. Chegada no final do dia em Ho Chi Mihn.

Chegamos em Ho Chi Mihn (antiga Saigon) por volta das 16:00h e o nosso hotel fica bem próximo à parada do ônibus. A numeração da rua é nro. 219/26 e o engraçado é que pq 26? É que qdo chegamos no 219, surge um beco que temos q entrar e tem vários outros hotéis/casas, uma movimentação interna, muito curioso...
Saimos à noite e fomos ao Ben Thanh Market, um local que tem 2 movimentações, uma à noite, onde tem várias quinquilharias e várias barracas vendendo comida e durante o dia, muita roupa e souvenirs para turista. Ao contrário do Cambodja onde o povo era bastante receptivo, aqui já tivemos uma experiência bem diferente:

Estávamos pesquisando os tipos de comida e preços e fomos em uma barraca onde fomos recepcionados com sorrisos e tudo mais. Mas foi só respondermos que estávamos somente andando e pesquisando que a moça pegou o cardápio e jogou na mesa e resmungou um @&*#!*()? Olhando com um cara feia, e depois o cara q estava do lado tb. mandou um @&*#!*()? em dose dupla!!!! Nossa, praticamente fomos tratados como cachorros!!! Impressionante, eles dão de 10 a zero nos chineses da Liberdade!!! Ahahaahh!
Acabamos comendo numa barrada chamada Hai Lúa que nos impressionou muito pelo sabor das coisas, como redundantemente estamos falando aqui. O legal é que a equipe é muito eficiente, parece uma bagunça, pois tem um monte de gente andando pra lá e pra cá, mas em praticamente meia hora, a barraca ficou toda montada. Mesas com toalhas, decoração dos pratos, espetinhos e peixe na brasa, garçons fazendo os pedidos, e um monte de pessoas já sentadas na mesa pra começar os pedidos... Muito legal!
Pedimos um prato chamado Bánh Xèo, um tipo de crépe ou panqueca frita feita de farinha de arroz, leite de coco, recheado com lascas de carne de porco, camarão, cubos de cebola e broto de feijão. Eles são servidos envolvidos em folhas de mostarda, folhas de alface e recheados com vários outros tipos de ervas (conseguimos identificar o manjericão e shissô) e mergulhados em um molho de peixe agridoce diluído. Delicioso e refrescante!!!
Pedimos tb mexilhão fresquíssimo grelhado na brasa com alho e os rolinhos tb. Recheados de vegetais envolvidos em uma folha de arroz bem fina. Esse foi o melhor que comemos até hoje. Ah e 2 cervejas que aqui são servidas com gde pedaço de gelo!!!
Depois pegamos uma sobremesa feita de arroz de moti, muito boa e não muito doce.

No alto, rolinhos primaveras fresquíssimos, mexilhões na brasa.
No meio o Báhn Xèo, com várias folhas desconhecidas.
A grelha deles estava sempre com algo apetitoso. Eu com a sobremesa!


O trânsito aqui tb impressiona bastante, mas estamos praticamente andando como os nativos. Olhamos p/ o lado q qdo abre uma pequena brecha, começamos a atravessar a rua, e temos q ter uma firmeza ao andar, sem alterar nosso ritmo, pois as motos (muita, mas muitas motos) desviam da gente.
Aqui a Yamaha e a Honda devem de fazer a festa com tantas motos que existem aqui, kkkkk

bjs a todos!

Dia 9 | 28out | Cambodja - Angkor Wat e Angkor Thom

Acordamos às 3h30 e fomos esperar nosso tuk-tuk, que chegou no horário combinado... mas disse  que teria de ir de última hora para a fronteira com a Tailândia e tal. Pelo menos ele tinha chamado um amigo, que chegou logo em seguida. Nossa dúvida era se ele já tinha o compromisso antes ou não, já que na noite anterior ele nos cobrou pelos 2 dias de viagem. Nem discutimos e fomos em frente.

Angkor Wat
Seguimos para Angkor Wat para pegar o nascer do sol, uns quinze minutos da pousada com as estradas mais livres... mas não vazias! Havia gente do mundo todo chegando em ônibus, vans, tuk-tuks, bicicletas. Chegamos no escuro, e com a luz do celular fomos andando em direção ao templo. Mais senhoras nos abordando para tomar o café depois em suas barracas.
A vista é espetacular, a gente vai entrando por um longo passeio, ladeado por lagos enormes. Tudo muito imponente e grandioso! Chegando lá, já mandei fogo na câmera, pegando várias luzes do amanhecer. E não é que a bateria acaba e quando fui trocar pelo estepe, percebi que tinha esquecido de carregar!?! Que grande vacilada, a febre do dia anterior me tirou do eixo! Pelo menos conseguimos tirar as fotos do nascer do sol! Decidimos então voltar para a pousada, tomar o café da manhã lá e carregar a bateria, pois afinal de contas, Angkor Wat era a razão de estarmos no Cambodja!

Acima, a multidão se acomodando para o nascer do sol, e já com a luz do dia.
No meio, amanhecer em Angkor Wat. 
Abaixo, a entrada do templo e a Bé com o novo tuk-tuk.

Na pousada, enquanto tomávamos café e decidíamos sobre nossos próximos dias, resolvemos sair na mesma noite. Vamos pegar o night bus para Ho Chi Mihn, Vietnam. Reservamos o bilhete, empacotamos nossas mochila em tempo recorde, e deixamos num quarto separado, pois tivemos que fazer o checkout da pousada. A bateria descarregada serviu para gente agilizar nossa ida ao Vietnan!! 

Voltamos a Angor Wat, e o nosso novo tuk-tuk não era tão simpático como o Tino. Alías ele sempre resmungava algo em khmer após pedidos do tipo "por favor, pode parar aqui para eu tirar uma foto?". Cara folgado! rsrs. E ele dever ser o único motociclista estressado que vimos no Cambodja, pois era do tipo que buzinava de forma mais agressiva, com buzinadas mais longas no estilo "sai da frente que quero passar".
O lugar estava tomado pelas pessoas, de todas idades e nacionalidades! E isso é bacana pois o destino realmente merece, apesar das multidões tirarem todo clima que se esperaria de um lugar como esse. Haviam muitos grupos estilo CVC, com guias falando fluentemente vários idiomas, inclusive japonês.
Acima, variedade de públicos. Monges sempre estão presentes nos templos.
No meio, vista da torre principal de Angkor Wat. 
Abaixo, vista geral do conjunto com o lago.

Angkor Wat é um complexo gigantesco, o maior dos monumentos de Angkor. É o tipo de obra onde a gente se pergunta sobre como conseguiram levantar algo tão grandioso em tempos onde ainda não existiam máquinas modernas. Algo comparável às grandes obras das civilizações antigas, em termos de esforço humano envolvido. Nos guias se menciona que Angkor Wat foi levantado em princípio para ser o templo funerário do rei Suryavarman II, para honrar Vishnu, a deusa hindu com a qual o rei se identificava. Vishnu é aquela que tem um monte de braços.
Gostei da Naga, que é uma cobra com 7 cabeças, que sempre fica nas entradas dos templos de origem hindu. Ela é reguladora dos climas, e por isso está relacionada com a produtividade do reino.
Um dos grandes destaques desse templo são os corredores laterais, que percorrem mais de 800 m de extensão. Em cada corredor foram entalhadas na pedra cenas épicas sobre a civilização angkor e também cenas do Mahabharata, o livro épico hindú. Há um sentido anti-horário para se percorrer esses corredores, para se ter uma leitura linear das figuras entalhadas, realmente belíssimas.
Bé e a vista geral do templo.
Eu num dos corredores com os entalhes, em cerca de 800m de corredores.

À esquerda, detalhe da imagem da Naga (cobra com 7 cabeças), que aparece nas entradas.
No meio, a Bé num dos inúmeros salões. 
À direita, a deusa Vishnu e um monge.

Angkor Thom
Angkor Thom foi uma cidade, que chegou a ter cerca de 1 milhão de habitantes em seu ápice.
Como uma cidade, tinha também a população, o povão, de quem não se tem muitos resquícios nos complexos de Angkor porque as suas casas eram todas de madeira. Pedras só eram utilizadas para as construções religiosas. A visita a Angkor Thom tinha um sentido sugerido, passando pelo templo mais importante de Bayon (que tinha uma caras esculpidas na pedra muito bacanas), templos menores e outros espaços religiosos. 
Templo de Bayon, em Angkor Thom. As grandes caras talhadas em pedra.

Preah Khan
Nesse templo, assim que entramos já encostou um cara "amigável", explicando sobre os espaços, sobre os detalhes, sobre o melhor ângulo para tirar a foto para dar o efeito de luz tal. Ele nos seguiu por uns 10 minutos, até que eu disse: "Cara, sei que vc quer nos guiar, agradecemos mas não vamos ter nada para te dar depois. Se quiser continuar mesmo assim, para nós está tudo bem!". O cara parou e não nos seguiu mais. Nada como uma mensagem clara e sintética! rs.
Esse templo lembrava um pouco o Ta Prohm, pela intervenção da natureza em suas estruturas e isso quer dizer árvores com as raizes envolvendo paredes e a cobertura, raizes invadindo os espaços internos.
À direita, detalhe da abertura superior, com as ávores invadindo tudo.
No meio, a Bé fazendo escala humana para a árvore que cresceu sobre a parede. 
À direita, a Bé descansando e um relicário com efeito de luz.
Após percorrermos toda cidade de Angkor Thom, já cansados, paramos para uma água de côco reconfortante. E para variar, nos cercaram para vender lenços de seda, lembranças estilo 25-de-março, tranqueiras diversas. A maioria eram umas moças e senhoras e agora já apelamos: "Pessoal, nós somos brasileiros, brasileiros não têm dinheiro! Olha a dica, vocês têm que chegar em cima daquele grupo de japoneses, eles sim estão cheios da grana!". O engraçado é que elas riram e pegaram o espírito da coisa e não encheram mais a gente. Ficaram mais perguntando sobre por que temos essa cara de orientais, se nascemos no Brasil. Hehe!

Voltamos à pousada e nos preparamos para o ônibus para Ho Chi Minh, que vai sair à 24h00.
Nesse tempo conseguimos reservar o próximo hotel, ver como chegar e organizar os atrativos que queremos conhecer nas redondezas.

E vamos que vamos!!

Dia 8 | 27out | Cambodja - Floating Villages de Chong Kneas

O dia de ontem foi beeeem cansativo e acabamos dormindo até mais tarde...
Eu estava até com um pouco de febre, não sei se foi pela insolação, pois o sol estava MUITO forte ontem... Meu olho até começou a inchar um pouco, mas provavelmente por um excesso de sono... Por isso acabamos não indo ao mercado central como previsto, e ficamos no restaurante da pousada atualizando o blog, que já estava ficando bem atrasado...
Hoje vamos às vilas flutuantes de Chong Kneas, no lago de Tonlé Sap - o maior do sudeste asiático. Alías, esse lago é alimentado pelo rio Tonlé Sap que vimos em Phnom Penh, e faz parte da bacia do rio Mekong. Esse foi um passeio encaixado entre nossas andanças pelos templos, até para dar uma variada.

Saimos da pousada na parte da tarde e no trajeto passamos por lugares que pareciam ser os mais pobres da cidade. Várias casas sobre palafitas ao longo do rio Siem Reap, muito simples e alagadas pelo nível mais alto do rio. Há semanas antes a situação era bem pior. E vários bichos convivendo com as pessoas, porcos, vacas, búfalos, patos.
 
 No restaurante da pousada, semi-inchado. O Tino enfrentado as poças pelo caminho. Casa alagada ao longo do caminho com fauna doméstica.

No caminho, o Tino parou num mercado local e começou a apresentar uns petiscos típicos: rãs, cobras, aves e insetos. Essa seria a hora de encarar! Até porque já tínhamos um nativo nos ajudando a descrever o que era cada comida. Experimentamos rãs recheadas com ervas e grelhadas num espeto, cobra grelhada e uma massa de peixe com vegetais enrolada na folha de bananeira e assada. O melhor foi a rãzinha, boa mesmo (que aliás já tinhamos provado no Brasil)! A cobra foi meio decepcionante, parecia um frango meio sem gosto, a Beth (sim, ela encarou!!! mas porque a senhora cortou em pedaços... rsrs) comeu e achou sem graça! hehe. E o peixe era bem forte, por causa de um monte de ervas diferentes, segundo o Tino, muito popular nas casas dos cambodjanos. Quanto aos insetos ainda não foi dessa vez... Na verdade se pensarmos, é tudo comida, o que diferem são os hábitos culturais. Nós que somos descendentes de japoneses também comemos cada coisa esquisita! E no Brasil também existem muitas comidas estranhas.
Vila onde paramos para uns petiscos mais que pitorescos, rãs recheadas, cobras, um tipo de ave, todos grelhados na brasa. E o Tino, o tuk-tuk-man. 

Chegando num pier, compramos os tickets e pegamos o barco, felizmente somente nós 2 e o piloteiro. Já haviam muitos turistas pegando outros barcos, num passeio formatado em estilo "zoológico humano", o que parece meio deprimente. E talvez seja mesmo, principalmente imaginando que as pessoas não devem receber nenhuma fração do valor que gastamos com o passeio...

A caminho das vilas flutuantes. Nível da água muito acima do normal! Descendentes de vietnamitas encostam no barco para vender mercadorias. Canal no Tonlé Sap.

Segundo o nosso piloteiro, a comunidade de Chong Kneas é formada basicamente por vietnamitas que vieram à região há muito tempo. Víamos as mulheres com aquele chapéu de palha cônico, que as cambodjanas não gostam de usar.
Esse pessoal vive basicamente de subsistência, trabalham em busca de comida. No mês de setembro fiz uma viagem à Amazônia e deu para perceber muitas similaridades. A diferença para as pessoas que vivem em favelas nos grandes centros urbanos como São Paulo, é que nesses lugares eles têm grandes rios e matas que provém ao menos abundância de peixes e outros bichos comestíveis. Dessa forma todos trabalham com pesca (ou de peixes ou de crustáceos) e têm muita intimidade com a água. As crianças já nascem meio como peixes, nadam e conduzem uma canoa com muita facilidade.
Como a vila é flutuante, eles conseguem mover as suas casas de acordo com o regime das chuvas. Por ex, o lago Tonlé Sap nessa época está bem alto e a vila está numa área longe do lago. Na época mais seca, eles terão que deslocar suas casas para mais perto do lago.

Pessoas na vila, em seu cotidiano sobre as águas.

Num momento paramos num bar, devidamente posicionado no meio do passeio, com cerveja gelada, souvenirs, deck panorâmico. Assim que paramos apareceu um menino com uma píton (cobra local, que pode ficar beeem grande!) e tirei uma foto dele. Logo ele pediu uns $ e ele não aceitou o que iamos dar! Nesse mesmo flutuante tinham uns crocodilos em cativeiro, criados para extração do couro e carne, aliás cara para os padrões locais. Esse é um bicho que impõe respeito, pois tinham uns bem grandes com quase 3,5m! E havia também um "museu" sobre pesca artesanal, espécimes da bacia do Mekong, que poderia ter mais informações, mas creio que informação não era o foco do lugar...
Na próxima parada fomos meio que "forçados" a fazer uma compra num armazém para uma doação à creche flutuante. Espero que o dono do armazém não seja o mesmo professor para quem entregamos a mercadoria logo do outro lado do canal, a uns 20 metros...

Moça com chapéu típico vietnamita. Garoto estilo flanelinha, mas com uma píton no pescoço. Escola-creche no centro. "Criação" de crocodilos e quadra flutuante. 

Depois fomos ver o pôr do sol no meio do lago Tonlé Sap, que é um mar! Aqui acontecem naufrágios, pois com os ventos se formam ondas muito altas. Um dos grandes medos dos locais é serem pegos de surpresa por uma tempestade no meio do lago.
O por do sol estava muito bacana, mas ver tanta pobreza mais crua tornou o dia um tanto quanto carregado, aquele tipo de situação que parece não ter uma solução ou perspectiva...

Abraços a todos!

Dia 7 | 26out | Cambodja - Visita aos templos de Angkor

Nosso blog está num ritmo um tanto quanto irregular... Mas não vamos prometer que isso ficará 100% em dia... rs
Hoje acordamos às 3h30 pra pegarmos o nascer do sol nos templos de Angkor.
Na última hora decidimos mudar a sequência dos passeios e pedimos ao Tino para começarmos as visitas pelos templos menores, para deixar Angkor Wat para o final. O que depois comprovamos, valeu muito a pena!
Fomos então ver o nascer do sol nas ruinas de Sra Sang, já com um grupo de pessoas ainda no escuro.
Nascer do dia em Sra Sang, abaixo a Beth com uma pequena vendedora.
 
Já começava a abordagem das vendedoras de café da manhã, crianças com souvenirs, etc. Aliás, esse assunto merece um parênteses:
Como era de se esperar, aqui no Cambodja o assédio de vendedores, tuk-tuks e pedintes (crianças inclusive), é MUITO FORTE. Em vários lugares estávamos cercados por eles, sempre repetindo nossa frase mais usada desde então: "No, thank you!" para vendedores e "No, sorry..." aos pedintes (eles já têm as frases em inglês). Chegam todos da mesma forma, as crianças com um olhar triste e uma entonação (a mesma em todas): "one doooollar..." ou  "some mooooney...". Complicado mesmo, mas não somos nós, mochileiros brasileiros que vamos resolver esse problema deles...
Após o nascer do sol, uma senhora nos abordou novamente e ainda me chamou de mentiroso, pois "eu havia prometido" que voltaria para tomar café na barraca dela!! Isso porque tinha falado um "Talvez depois"... O melhor mesmo é não dar abertura para interpretações! rs.
Depois fomos ao templo de Banteay Kdei, um monastério budista. Aliás essa parte dos templos pode se tornar um tanto tediosa quando narrado aqui, portanto vamos mais dar uma geral mesmo. Uma das coisas que impressiona é que cada templo tem suas particularidades, não são todos iguais. Foram construídos pelos reis da civilização que originou o povo cambodjano, segundo princípios do budismo e estilos com inspiração hindú. Alguns tinham torres muito altas, com acesso por escadarias muito íngremes, que têm uma relação com o desapego material do budismo. Outros têm uma planta mais plana, sem grandes elevações.
Vista geral dos templos, alguns em ruínas mas com detalhes ainda preservados. 
Portões dividem diversos salões, e uma predominância de plantas simétricas.
 
Uma geral pelos templos, alguns com imagens de animais (como o elefante e os macacos). Eles se utilizavam muito bem das aberturas para luz natural. Escadarias longas e íngremes levam ao relicário no alto.

A área por onde estavam localizados os templos é muito grande, com vários campos de arroz, matas e vilas entre as ruínas. A população local é formada mesmo pelos descendentes dos angkorianos, os guias até recomendam que a gente compre mercadorias dessas pessoas. Mas com o assédio...

Um pouco do entorno dos templos, uma área rural com vilas, arrozais e muito nativos circulando. Famílias inteiras numa moto é uma cena comum.

Fomos em mais uns 3 templos, até que pegamos o tuk-tuk para um percurso mais longo, até um templo chamado Banteay Srei. Esse lugar estava bem cheio de grupos, japoneses, chineses, etc. Entramos e andamos rápido, tentando sair das aglomerações, pois com o calor daqui ficava bem sufocante! O templo é bem legal, cheio de ornamentos bem trabalhados. Esse é considerado o templo mais "feminino" do complexo de Angkor. E esse não tinha grandes escadarias...
Banteay Srei: no meio a Bé na entrada do templo, entre os espelhos d´água.

Por último fomos ao templo de Ta Prohm, o mais interessante do dia. A característica mais legal desse templo é que ele tem várías árvores incrustradas no meio da construção, o que dá um clima meio "Indiana Jones". Eles fizeram questão de manter as árvore, apenas reforçando com estruturas de madeira onde fosse necessário, procurando não descaracterizar. Mas tbm fizeram uns tablados em madeira, que acabam tirando o clima...

Ta Prohm: ruínas tomadas pela floresta, mas devidamente "adaptada" ao acesso de turistas.

O dia tinha sido bem intenso, e já estávamos bem cansados pelas longas caminhadas e principalmente pelo sol muito forte. Voltamos ao guesthouse e apenas tomamos banho e capotamos.

Abs!